quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Alpendre da Lua: Manifesto: Pela nossa saúde, pelo SNS

Alpendre da Lua: Manifesto: Pela nossa saúde, pelo SNS: Manifesto: Pela nossa saúde, pelo SNS Porque é um assunto que a todos nos diz respeito, tomo a liberdade de vos contactar para vos ...

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Celso José Costa

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O silêncio do fogo na voz da dor...


*“Estamos tão cansados, mas não podemos estar. Os mortos não se calam e não nos deixam cansar. Gritam por justiça! Exigem mudança!
A Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande é um movimento cívico que partiu dos familiares e amigos das vítimas mortais da tragédia [do grande, brutal e devastador incêndio que lavrou do dia 17 a 24 de Junho de 2017  nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra]. Uma associação cujo mote é apurar responsabilidades e ajudar a construir um futuro em que tal tragédia e crueldade não volte a acontecer.
(...) Olho à volta e as pessoas não se riem, choram sozinhas, acanhadas, não se olham nos olhos, com vergonha pela sua impotência, com medo; o cenário é deprimente e não nos ajuda a superar com dignidade a tragédia. O inverno não tarda e com ele as ruas despidas de vida (…)
Há rancor, ressentimento com o território e com as entidades públicas. O Estado falhou. A Nação não existiu. Mas não falhou apenas nesta tragédia. O Estado vem falhando ao longo de décadas. O Estado padece de uma cegueira crónica, está enfermo de um tal sentimento de negação de si próprio. Nega o seu estado de país rural, um país orgulhosamente rural e por isso mesmo rico.

(…) O Estado falhou nesta tragédia levando consigo o sentimento de pertença de Nação que tínhamos. Não assegurou o seu Território e com ele o seu Povo… Fomos vítimas desta ausência insuportável de Estado. Ontem e hoje. Mas não amanhã, porque já chega de incêndios que ceifam vidas. Incêndios como os de 2003, 2005 e Junho de 2017, que contabilizam até à data, 100 vítimas mortais em solo português, não podem voltar a acontecer.
É hora de todos dizermos “Basta!”. Este Estado que não quer ver secou uma parte importante da sua Nação, aquela que moveu este país durante séculos, o Interior. A primeira muralha e frente de defesa no Passado contra as invasões estrangeiras, o celeiro do País em tempos de vacas magras, o emissor de soldados nas guerras ultramarinas, o mercado de mão-de-obra barata em tempos de construção europeia… Quando o Interior e os seus recursos já não eram precisos, substituídos pela oferta de bens e serviços mais baratos, o Povo e o Território do interior foram abandonados à sua sorte. Emigrem! E assim o fizeram abandonados á sua sorte.
Não houve solidariedade em tempos de vacas gordas, não houve estratégia para o Território quando os dinheiros dos fundos estruturais chegavam a rodos.. Foram anos de esquecimento, de esvaziamento  progressivo e consitente das instituições regionais e locais, depois seguiram-se as empresas e por fim as pessoas. Sobreviver é preciso. Foram sucessivas décadas de descaso com o Interior, de negligência com o Território, com a Floresta e a Agricultura. Tendo como consequência a emigração das pessoas em idade activa, restando uma povoação envelhecida e empobrecida a exigir cuidados redobrados do pouco Estado [que restou e que nos foi esventrado] e sobretudo das autarquias locais e das misericórdias. Parecia propositado... o Interior tornou-se terra de ninguém, envergonhado de o ser, abandonado e, assim, por fim, vergado.
Deveríamos dar graças por nos termos tornado a maior região eucaliptizada da Europa... Fomos agraciados pala falta de oportunidade! O Território estava a saldo e ninguém quis saber.

O Interior tornou-se um canteiro de ervas daninhas, sem jardineiro – as suas gentes. Um barril de pólvora a que se soma a indústria do fogo institucionalizada e um qualquer ano eleitoral. Os ingredientes ideais para a tempestade perfeita. A tragédia de 17 a 24 de Junho de 2017 estava mais que anunciada. Foi apenas uma questão de tempo… e o tempo não pára. E com ele foram muitas vidas abreviadas. Cedo de mais… cedo de mais! Por ti meu filho…

*Fragmento do testemunho de Nádia Piazza, mãe de uma criança de 5 anos que morreu em Pedrógão Grande, publicado no Público de 23 de Julho de 2017.
Comentário: a perda de um filho é a maior tragédia que pode acontecer a uma mãe. Mas, atentas as circunstâncias em que aconteceu aquela que vem descrita, a situação assume foros de verdadeira hecatombe!  Registo a chamada de atenção para a negligência dos dirigentes, quando refere "assim se vai governando Portugal. Sem pactos de regime e visão a longo prazo. Vão-se puxando o tapete uns aos outros, não se apercebendo que , por fim, só restam cacos, dor e tristeza para governar."
Daí que se perceba o grito de dor e revolta "já chega de incêndios que ceifam vidas. Basta! ".
Admirável discurso duma mãe que recusa entregar-se à simples lamúria e, em vez disso, transmite palavras de esperança e exortação.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

domingo, 25 de junho de 2017

O caminho do fogo

Memorável "Uma reportagem das jornalistas Patrícia Lucas e Rita Marrafa de Carvalho", ontem, na RTP 3.
Gostei muito desta autêntica resenha sobre a tragédia de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera , Figueiró dos Vinhos, Góis...
 
A dignidade e honestidade intelectual mandam que se seja objectivo e pare para pensar!
A tragédia foi brutal mesmo...
não vejo melhor maneira de exprimir um sentimento, que não seja na primeira pessoa, como aconteceu: as pessoas, quer as vítimas, quer os bombeiros e restantes protagonistas (autarcas, governantes, jornalistas, protectores civis ...)  dizem tudo, mesmo, às vezes, sem dizer nada nada!


As pistas sobre o que deverá ser feito no futuro estão lá todas! É uma tarefa hercúlea para o Estado, ou seja, para todos nós que o somos!

Fico em silêncio... e tinha tanto para dizer, mas a revolta, a vergonha, a tristeza, o luto, o respeito por quem sofre, e a esperança que é a última a morrer, mandam que fique calado!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Bibliotecas itinerantes



3Mai2017: início de mandato da nova presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, sucedendo a Artur Santos Silva que assegurou o cargo nos últimos cinco anos (2012-2017).
Administradora executiva da Fundação desde 1999, Isabel Mota foi eleita por unanimidade em Conselho Plenário realizado no dia 7 de dezembro do ano passado, assumindo agora a presidência executiva da Fundação nos próximos cinco anos.
No discurso de tomada de posse, a sexta titular do mais alto cargo destacou:
“Vejo a Fundação como uma instituição filantrópica, única e una, que constrói a sua identidade na diversidade da sua intervenção, da arte à ciência, da educação à beneficência, as quatro finalidades estatutárias definidas pelo nosso fundador, numa combinação equilibrada de recursos”
*
Para mim, "a Gulbenkian" é sinónimo de bibliotecas itinerantes: a minha aldeia natal recebia, uma vez por mês, a carrinha "cheia " de livros que faziam a delícia das crianças!
Nos tempos de estudante, era o ponto de encontro obrigatório para os amigos. Lá passei horas e horas, a fio, à volta dos livros, exposições de pintura, musicais, etc. Várias gerações ali criaram hábitos de cultura pelas Artes em geral e creio que ainda hoje assim é!
 

sábado, 18 de março de 2017

António Lobo Antunes


"Considerou "estranho" ter recebido o Prémio Autores Vida e Obra, da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), "por não saber onde começa uma e acaba outra".  Isto para mim é estranho", disse o escritor, no fecho da Gala da SPA, em Lisboa, acrescentando que o nome do prémio lhe faz uma "imensa confusão".
Não sei onde a vida começa e a obra acaba, porque desde que me conheço que escrevo (...)
aos quatro anos, já fazia romances "de duas páginas". 
Agradeceu o prémio entregue pelo presidente da SPA José Jorge Letria. Agradeceu igualmente a presença do Presidente da República, que cumprimentou o escritor em palco, assim como daquele a quem chamou "grande poeta", o ministro da Cultura, amigo "há mais de 40 anos", Luís Filipe Castro Mendes."
- Lusa 16 Mar, 2017, citação.
Assisti em diferido.
Momento emocionante - aquele em que o premiado cumpre a promessa de fazer adeus ao senhor Barata - que apresentou como homem inteligente, tipógrafo reformado, sempre sózinho, com uma grave doença de cancro no pulmão!).
"Livre-se... [pausa] livre-se de não vencer essa puta, que é o que o cancro é". 
Inesquecível lição para todos nós!